Rennan Martins: Como o ajuste de Dilma provoca concentração de riqueza
Tempo de leitura: 4 minRoberto Stuckert Filho, Fotos Públicas
Não é ajuste, mas mera concentração de riqueza
Por Rennan Martins, no Desenvolvimentistas
Vila Velha 12/06/2015
Os que acompanham ainda que superficialmente a política brasileira sabem que a presidente Dilma reelegeu-se com uma plataforma bem diversa da ora praticada em seu segundo mandato.
O aprofundamento das mudanças não veio, e o que se vê é um governo que capitulou em quase todas as frentes no intuito de manter a governabilidade. Nesse ínterim, os espaços foram ocupados pela reação e o Planalto acaba por ter o comando, mas não o poder.
Acuada pela hostilidade enorme do Mercado, Dilma entregou a mais importante pasta de um governo, a Fazenda, ao ferrenho monetarista Joaquim Levy, com a incumbência de realizar o ajuste fiscal.
Pois bem, aí está ele no contingenciamento de quase R$ 70 bilhões, nas restrições a direitos trabalhistas e de seguridade social, e no endurecimento das regras de financiamento dos bancos públicos.
Ocorre que, diferentemente das contas domésticas, uma economia nacional funciona em outra dinâmica. Quando se corta gastos que iriam para a base da pirâmide social – de pessoas que gastam tudo que recebem por serem pobres e não terem espaço para poupar – o efeito é a queda da demanda global efetiva, ou seja, o consumo e comércio popular deprimem, levando consigo a arrecadação dos impostos que bancaria o próprio ajuste.
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O resultado é algo como o cachorro correndo atrás do rabo. Corte de gastos que diminuem a demanda e arrecadação, que redundam em mais cortes para cumprimento da meta fiscal, aprofundando ainda mais a recessão. Esse é o cenário de países como Espanha e Grécia.
No caso brasileiro há uma particularidade que aumenta a contradição. Concomitante a austeridade fiscal o BACEN aumenta consideravelmente a taxa básica de juros da economia, Selic. De dezembro do ano passado até agora, os juros básicos saltaram 2,5%, alcançando incríveis 13,75% na última reunião do Copom.
Essa subida eleva consideravelmente os gastos com o serviço da dívida, o que anula todo o esforço de contingenciamento e cortes. É o que constata o economista e ex-diretor do BACEN, Carlos Thadeu de Freitas. Em artigo publicado ontem (11) no Brasil Econômico, lemos que:
(…) os juros incidentes sobre a dívida aumentaram expressivamente, alcançando R$ 146 bilhões no quadrimestre de janeiro a abril — quase a metade do serviço da dívida do ano anterior (R$ 311 bilhões) e um aumento nominal de 82% em relação ao primeiro quadrimestre de 2014.
Enquanto isso, na União Europeia, o mesmo Mercado esperneia, mas por motivo inverso. No velho mundo os dealers fazem birra e chantageiam por afrouxamento quantitativo, que é basicamente a criação de dinheiro público pelos Estados Nacionais e transferência para o setor financeiro privado, os bancos. Por lá os países estão bem mais endividados que o Brasil, e curiosamente não há histeria em torno da deterioração fiscal e crescimento da dívida pública.
Numa perspectiva global, o que se apresenta é a transferência bruta, pura e simples, dos recursos que anteriormente iriam para a população, ao sistema financeiro internacional. Quando o Banco Central do Brasil aumenta os juros e o governo corta gastos, ou quando o Banco Central Europeu reforça o afrouxamento quantitativo e as nações europeias cortam gastos, o que acontece é a transferência direta de dinheiro público para os gordos cofres do cartel financeiro.
Temos então, nas palavras da ex-auditora da Receita Federal e coordenadora do movimento Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lúcia Fatorelli, “um mega esquema de corrupção institucionalizado”, o sistema da dívida pública. Em entrevista a CartaCapital, explana ela que:
Depois de várias investigações, no Brasil, tanto em âmbito federal, como estadual e municipal, em vários países latino-americanos e agora em países europeus, nós determinamos que existe um sistema da dívida. O que é isso? É a utilização desse instrumento, que deveria ser para complementar os recursos em benefício de todos, como o veículo para desviar recursos públicos em direção ao sistema financeiro. Esse é o esquema que identificamos onde quer que a gente investigue.
O sistema da dívida é sintoma e prova cabal de que o capitalismo financeiro desregulado se vê as voltas com a dura realidade de que é incapaz de produzir riqueza e prosperidade, tendo por isso passado a usar de sua influência corruptora para simplesmente parasitar os Estados Nacionais e seus povos.
As políticas de desregulação e liberalização dos mercados, em seu tempo, promoveram e promovem concentração absurda de riquezas. Não é por acaso que a Oxfam, ONG britânica especializada em desigualdade, diz que em 2016 o 1% mais rico da população mundial deterá mais de 50% de toda a riqueza existente.
A desigualdade crescente e o crescimento da pobreza ameaçam a democracia liberal e o capitalismo, pois, os extremamente ricos terão que, cada dia mais, recorrer a força e violência para conter a maioria desprovida de recursos, o que nos arrastará a um regime autocrata e oligárquico, sujeito a desestabilização e derrubada por crescentes revoltas populares. Será que a elite global continuará patrocinando a própria ruína?
Leia também:
Guilherme Boulos: Dilma planta e vai colher mais juros e recessão
Comentários
FrancoAtirador
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Notícias do Brasil: Os Pássaros Trazem
(Milton Nascimento/Fernando Brant)
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Uma notícia está chegando lá do Maranhão
Não deu no rádio, no jornal ou na televisão
Veio no vento que soprava lá no litoral
De Fortaleza, de Recife e de Natal
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A boa nova foi ouvida em Belém, Manaus,
João Pessoa, Teresina e Aracaju
E lá do norte foi descendo pro Brasil central
Chegou em Minas, já bateu bem lá no sul
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Aqui vive um povo que merece mais respeito
Sabe, belo é o povo como é belo todo amor
Aqui vive um povo que é mar e que é rio
E seu destino é um dia se juntar
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O canto mais belo será sempre mais sincero
Sabe, tudo quanto é belo será sempre de espantar
Aqui vive um povo que cultiva a qualidade
Ser mais sábio que quem o quer governar
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A novidade é que o Brasil não é só litoral
É muito mais, é muito mais que qualquer zona sul
Tem gente boa espalhada por esse Brasil
Que vai fazer desse lugar um bom país
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Uma notícia está chegando lá do interior
Não deu no rádio, no jornal ou na televisão
Ficar de frente para o mar, de costas pro Brasil
Não vai fazer desse lugar um bom país.
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(https://youtu.be/4NB1so-aBdI)
(https://youtu.be/z_-WOMc6mmc)
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FrancoAtirador
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(http://www.cosif.com.br/publica.asp?arquivo=arianosuassuna)
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FrancoAtirador
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Manchete do Dia:
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“PT vai criar um jornal semanal, de quatro páginas, com distribuição gratuita.
A impressão ficará a cargo das instâncias regionais do partido.”
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Curiosidade
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É pra concorrer com o jornalzinho do Bairro?
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Carlos
Se de fato essa for a linha dos próximos anos, não resta dúvida de que o ajuste, não é um ajuste mas uma política liberal, tosca, concentradora de renda etc…
Porém, se como no primeiro mandato de Lula, trata-se de um ajuste, cortes que, como num refluxo, tomam potencial para novos fluxos de investimento não muda em nada o projeto vitorioso nas urnas e entre os trabalhadores do Brasil!
Há que pisarmos no chão.
Os heterodoxos estão espalhando medo entre os trabalhadores, há que termos respeito por Dilma, que é uma desenvolvimentista, na prática, e não apenas na teoria!
Vinicius
Ainda da tempo de Dilma evitar isso.
E só desistir desse ajuste.
FrancoAtirador
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Fuga de Dólares: A Chantagem do Capital Especulativo Internacional !
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FrancoAtirador
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O Passado no Futuro
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(http://www.cosif.com.br/publica.asp?arquivo=remessalucros)
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FrancoAtirador
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LADROAGEM INTERNACIONAL NO SÉCULO 21
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O CAPITALISMO BANDIDO DOS BARÕES LADRÕES
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TITÃS DOS NEGÓCIOS DE PRÁTICAS CONDENÁVEIS
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(http://www.cosif.com.br/publica.asp?arquivo=capitalismobandido)
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